segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Passos

       Por volta das onze badaladas do relógio, numa noite sombria, sem lua, nem estrelas, eu voltava para casa após um longo e cansativo dia de trabalho, caminhando por uma rua escura e, aparentemente, deserta. O Silêncio era gritante. Seria possível ouvir alfinetes caírem ao chão. Até que, de repente, eu ouvi passos. Passos fortes e apressados, como quando se quer alcançar alguém.
       Eu olhava para trás, o barulho pausava e eu nada via. Continuei andando, dessa vez um pouco menos lento. E o barulho dos passos recomeçava. O que seria aquilo? Eu não estava nem um pouco curioso para descobrir. Apressei-me. E os passos ocultos acompanharam meu ritmo. Eu corri. Não sabia do que estava fugindo, mas algo me dizia que eu tinha de correr. Tão rápido quanto eu fosse capaz. Os passos também o fizeram. Gritei.
       Eu consegui correr mais rápido ainda. Aquela rua parecia nunca ter fim. Nenhum carro, nenhuma casa. Apenas os passos e eu.
       Parei por um segundo, tomei fôlego e tentei ouvir os passos. Nem precisei me esforçar tanto, eles continuavam firmes e cada vez mais apressados. O que seria aquilo? Indaguei-me novamente. Mas os passos se aproximavam. Não conseguiria manter o ritmo por muito tempo. Eu cambaleei, tropecei inúmeras vezes, mas eu sabia que não podia parar. O barulho estava cada vez mais alto, mais forte, mais perto. Os passos haviam me alcançado. Então, subitamente, eu caí da cama. E Acordei!

Lianderson Ferreira

sábado, 13 de dezembro de 2014

Footsteps

       Around 11.00 O’clock p.m., in a dark evening, with no moon, no stars, I was coming back home after a long and exhaustive day of work, walking along a dark street and, apparently, desert. The silence was loud. It would be possible to hear pins dropping on the ground. But, suddenly, I heard some footsteps. Strong and hurried footsteps, as if they were trying to reach someone.
       I looked back, the noise paused and I saw nothing. I continued to walk, a little less slow by this time. And the noise of the footsteps restarted. What would that be? I was not even a bit curious to find out. I hurried. And the hidden footsteps followed my rhythm. I ran. I didn’t know from what I was running away, but something told me that I had to run as quickly as I was able to. The footsteps did the same thing. I shouted.
       I got to run even quicker. That street seemed to never end. No cars, no houses. Only the footsteps and me.
       I stopped for a second, breathed in and tried to hear the footsteps. I didn’t need to try that much, they kept firm and increasingly hurried. What would that be? I wondered once again. But the footsteps were getting closer. I wouldn’t be able to keep the rhythm any longer. I teetered, stumbled several times, but I knew that I couldn’t stop. The noise was louder and louder, stronger, closer. The footsteps had reached me. So, suddenly, I fell off my bed. And woke up!

Lianderson Ferreira

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Lembranças

Batiam quinze horas no relógio da sala, levantou-se do sofá e foi à janela. Era uma tarde chuvosa de domingo. Lá fora o céu estava escuro, mas não tão escuro quanto seu coração.
Fazia exatamente três anos que seu filho partira para a guerra. No quarto do seu garoto, fez questão de manter tudo como ele o deixou. O mesmo lençol, a mesma escrivaninha desarrumada que ainda continha o livro de Robert Musil aberto na página noventa e oito, fez questão até mesmo de manter sobre ela a xícara de chá que ele costumava tomar antes de dormir.
O marido havia falecido há poucos meses, jamais experimentara tamanha solidão. Achava-se velha demais para os passeios matinais ou ida às missas do domingo e já não enxergava tão bem para ocupar seu tempo em uma máquina de costura.
Fechou a janela e caminhou até onde ficava o velho piano. Sentou-se, limpou um pouco da poeira que havia se formado sobre ele e arriscou algumas notas. Lembrou-se de quando seu marido costumava tocar um bom jazz nas noites de segunda quando voltava da repartição pública enquanto ela o acompanhava tomando um vinho francês. Pôs-se de pé e começou a chorar. Chorou o que jamais havia chorado ao decorrer daqueles três anos, pois percebera que não teria seu marido de volta e que seu filho nunca regressaria ao lar.
Foi então que tomou uma decisão. Saiu da sala sem pressa e foi em direção ao banheiro, pegou um frasco do seu medicamento que Adalberto, seu médico particular, havia prescrito para ajuda-la a dormir. Passou na cozinha e trouxe consigo para o quarto um copo d’água. Tomou dez comprimidos de uma só vez. Pensou que tirar sua vida seria muito mais fácil. Deitou em sua cama e esperou lentamente o sono chegar, e no dia seguinte não havia mais lembranças, não havia mais choro, não havia mais dor... não havia mais nada além da certeza da morte...

Esta história foi escrita por uma das minhas amigas,
Amanda Luna.



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Memories

The living-room clock struck 3:00 p.m., she got up from the sofa and went to the window. It was a rainy Sunday afternoon. It was dark outside, but not as dark as her heart.
It had been exactly three years since her son had left to the war. In her boy’s bedroom, she insisted on keeping everything as he had left. The same bed sheet, the same messed-up desk which still had Robert Musil’s book open on page ninety-eight, she even insisted on keeping on it the cup of tea that he used to drink before sleeping.
Her husband had passed away a few months ago; she had never experienced that loneliness. She used to think she was too much old for morning walks or comings to Sunday masses and she was not able to see that much to pass her time at a sewing machine.
She closed the window and walked towards where the old piano was. She sat down, cleaned up some powder which had gathered over it and tried some notes. She remembered the time when her husband used to play some good jazz on Monday nights, when he came back from the government department while she followed him by drinking some French wine. She made herself be standing and started crying. She cried as much as she had never cried during those three years, because she realised that she wouldn’t have her husband back and her son would never come back home.
That was the moment when she made a decision. She left the living room without hurry and walked towards the bathroom, picked up a bottle of her medication which Adalberto, her private doctor, had prescribed to help her sleep. She passed by the kitchen and brought a glass of water with her to the bedroom. She took ten pills at once. She thought that taking away her own life would be a lot easier. She lied down on her bed and waited for the sleep to come up to her slowly, and, the next day, there were no memories anymore, no more tears, no more pain... there wasn’t anything else but the certainty of death...

This short story was written by one of my mates, 
Amanda Luna.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A História Revoltante de Cinderela

          Bem... vocês provavelmente me conhecem, mas não sabem a minha história, minha maldita história. Eu vou contar a vocês minha história real. Como todos vocês devem saber, meu pai morreu e eu estou morando com as minhas meio-irmãs e minha maldita madrasta. Vocês também sabem que elas (vocês podem chamá-las de "vadias") são muito más e eu sou a pobre e ingênua garota que trabalha como faxineira para elas. Então, deixem-me contar o que é diferente...
           Através da história, há uma fada madrinha que faz algumas coisas se transformarem em outras coisas com mágica, como uma abóbora em uma carruagem. Até agora tudo ótimo, mas hmm, vocês não acham que ela faria algo de graça, certo? Vocês acham? Ora, ora, contos de fada estão sempre enganando vocês. Por quanto tempo, senhor?! Então, basicamente, ela faz as coisas de graça, mas vocês já ouviram que deveriam sempre suspeitar quando algo é muito fácil de conseguir ou alguém está dando-lhes sem pedir nada em troca? Se vocês não ouviram, comecem a pensar sobre isso.
           Enfim, há um príncipe, certo? Todos os contos de fada trazem um príncipe... bleh, eu não posso acreditar quão estúpidos os príncipes podem ser. Além disso, eu sequer sei o que acontece na cabeça das princesas para se apaixonarem por eles. Eu acho que é por causa de dinheiro, claro. Desculpem, eu estou destruindo a sua infância, mas essa é a verdade.
          Bem, eu não sou como aquelas princesas, porque todas elas (ou a maioria delas) tiveram uma vida boa comparada com a minha. Elas foram amaldiçoadas? Sério? Como dormir para sempre ou algo do tipo? Humm, nada comparado com a minha maldição! Eu não precisei de magia ou feitiçaria para ser amaldiçoada. Eu preferiria dormir por mil anos ou casar com uma fera a ficar acordada todo dia e noite limpando a casa, o porão, e até partes da casa que eu nem conhecia! Estes são os motivos pelos quais eu estou com tanta raiva da minha vida triste e da vida boa que as outras princesas têm.
           Então, eu acho que vocês pensam que a minha vida mudou depois que a fada madrinha veio. VOCÊS ESTÃO TOTALMENTE ERRADOS! Eu serei bem breve: ela era maravilhosa quando veio até mim, ela me prometeu uma vida melhor... bem, havia um príncipe nos planos dela, eu não me importei, mas era de graça e eu não podia reclamar disso, certo? Bem, ela me deixou bem animada e eu tive que ir para o baile que o rei estava organizando. Ela disse que eu era a mulher mais linda do salão do baile e eu acreditei nela. Mas, uau, eu não sei como ela sucedeu para parecer tão bela, e Ó MEU DEUS, ela me fez dizer coisas que, EU NÃO SEI COMO, mas eu disse para o príncipe sobre ela, coisas que me deixaram bem confusa. Tais como quão bela ela era, ou talvez, a mais bela do mundo todo. Bem, ele era fofa, de fato, mas ela parecia um pouco velha, eu não estou tentando desrespeitar ninguém, mas qual príncipe quer uma mulher velha? Mas acreditem ou não, ELA ERA BONITA, eu estava de boca aberta. Mas isso passou. Agora eu estou frustrada e com muita raiva!! Atualmente, o príncipe vive sob um feitiço que o faz amá-la e fazer tudo o que ela quer! Estúpido...
           Eu acho que vocês querem saber o que aconteceu com a minha madrasta e minhas meio-irmãs. Bem... Eu fugi de lá. Há rumores de que elas estão vivendo muito bem. E que inferno, minha madrasta casou com o rei. Ó Deus, vocês querem saber o que aconteceu comigo? Sério? Preparem-se porque não é o que vocês estavam esperando. Eu estou vivendo na floresta e a única coisa que me faz feliz é que meus amigos camundongos estão sempre comigo. E adivinhem? Eu estou morando com Tarzan e Jane!!! Eles são bem legais e gentis conosco.
          Então, desculpem-me se eu arruinei o que vocês pensavam sobre contos de fadas, príncipes, princesas e fadas-madrinha. Bem, por trás de toda história, há uma mentira, certo? E, uau, que mentira minha história é, uh?

Esta fan fiction foi escrita por um dos meus alunos, Iury Sonho,
como forma de avaliar o uso da língua para expressar
os seus sentimentos de uma maneira criativa.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Cinderella’s Revolting Story

          Well... you probably know me, but you don’t know my story, my damn story. I’m gonna tell you my real story. As all of you may know, my dad has died and I’m living with my two half-sisters and my damn witch stepmother. You also know that they (you can call them “bitches”) are too evil and I am the poor and naive girl who works as a house cleaner for them. So, let me tell what is different...
            Throughout the story, there is a fairy godmother who makes some things turn into other things with magic, like a pumpkin into a carriage. So far so great, but hmm, you don’t think that she would do anything for free, right? Oh, do you? Well, well, fairy tales are always tricking you. How long, Gosh?! So, basically, she does things for free, but have you ever heard that you should always be suspicious when something is too easy to get or someone is giving it to you without asking anything back? If you haven’t, start to think about it.
            Anyway, there is a prince, right? All of the fairy tales bring a prince... bleh, I can’t believe how stupid princes can be. Moreover, I don’t even know what happens in the princesses’ mind to fall in love with them. I think it’s because of the money, of course. Sorry, I’m destroying your childhood, but this is the truth.
            Well, I’m not like those princesses, because they all (or most of them) had a good life compared to mine. Were they cursed? Really? Like sleeping forever or something like that? Hmm, nothing compared to my curse! I didn’t need magic or witchcraft to be cursed. I’d rather sleep for a thousand years or marry a beast than staying up all day and night cleaning the house, the basement, and even parts of the house that I didn’t know! These are the reasons why I’m so angry at my sad life and the good life that the other princesses have got.
            So, I guess you think that my life has changed after my fairy godmother came. YOU ARE TOTALLY WRONG! I’ll be very brief: she was wonderful when she came over, she promised me a better life... well, there was a prince in her plans, I didn’t really care but it was free and I couldn’t complain about it, right? Alright, she made me very excited and I had to go to the ball that the king was organising. She said that I was the most beautiful lady in the ballroom and I believed her. But wow, I don’t know how she managed to look so pretty, and OH MY GOD, she made me say things that I DON’T KNOW HOW but I said to the prince about her, things that leave me really confused. Such as how pretty she was, or perhaps, the prettiest lady in the whole world. Well, she was cute indeed, but she seemed a little old, I’m not trying to disrespect anyone, but which prince wants an old woman? But believe me or not, SHE WAS BEAUTIFUL, I was open-mouthed. But that has passed. Now I’m frustrated and too angry!! Nowadays, the prince lives under a spell that makes him love her and do everything she wants to! Stupid...
          I guess you want to know what happened to my stepmother and my two half-sisters. Well... I ran away from there. There are rumours that they are living very well. And what the hell, my stepmother married the king. Oh Gosh, do you want to know what happened to me? Really? Get prepared because it’s not what you were expecting. I’m living in the forest and the only thing that makes me happy is that my mice friends are always with me. And guess what?! I’m living with Tarzan and Jane!!! They are very nice and kind with us. 
          So, I’m sorry if I ruined what you thought about fairy tales, princes, princesses and fairy godmothers. Well, behind every story, there is a lie, right? And, wow, what a lie my story is, yeah?!

This fan fiction was written by one of my students, Iury Sonho,
as a way to evaluate the use of the English language
to express his feelings in a creative way.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Um Anjo Caído

            Bem... Em primeiro lugar, eu sou a narradora e você nunca saberá quem eu sou, você não precisa ver meu exterior para conhecer profundamente o que eu sou por dentro. Eu vou te contar uma história sobre um anjo, um caído, para ser específica. Não se preocupe, ele é caído, mas ele não é nem um pouco mau! Você deve estar se perguntando "por que ele é caído se ele não é um anjo mau?" e, agora, você deve compreender que amor intenso também pode tirar você do seu caminho e isso não é uma coisa ruim. Do começo:
          Miguel não era muito alto, na verdade, muito baixo... olhos minúsculos, seu tom de pele era dourado e brilhante como a cor dos seus olhos, ele seria um anjo normal, se ele não tivesse aquelas grandes e belas asas que podiam levá-lo para qualquer lugar que ele quisesse. Mas a coisa mais importante sobre ele é que, além da beleza, ele estava sempre concentrado em algo bom, ele estava sempre tentando encontrar seu amor, ele não queria algo ou alguém para chamar dele, ele queria algo ou alguém para preencher seu coração bom e vazio e é aí que a história começa...
           Era um dia normal na vida dele, ele estava voando ao redor e conhecendo pessoas novas até o momento que ele viu uma bela garota, mas ela não era como as outras que ele já tinha visto, aquelas bochechas vermelhas e aqueles olhos o pegaram tão facilmente quanto roubar um doce de uma criança. Ele não poderia deixá-la ir sem falar com ela, ele tentou se aproximar várias vezes, mas a garota não notou o anjo e isso fez Miguel perceber que a moça não estava bem, que ela não estava protegida, ela precisava da atenção dele.
          Ele a seguiu por quinze dias consecutivos e ele descobriu que ela estava sempre se metendo em problemas e que ela tinha um lugar secreto, um lugar aleatório com árvores e areia; ele também encontrou uma maneira de contactá-la: ele deixava uma parte de sua pena todos os dias que ela estava lá, mas ele sabia que, fazendo aquilo, ele perderia sua vida como um anjo e se tornaria um humano e foi isso o que aconteceu. Sua queda foi tão grande que ele também perdeu seus poderes, portanto ele era um anjo caído sem nenhum poder, ele poderia ser visto mas não poderia ser sentido... Então, ele era aquele que precisava de alguém para ajudá-lo; a garota, pela primeira vez, sentiu a presença dele e o ajudou.
          Com isso, ele aprendeu uma lição com ela: ele nunca precisou de um amor para vê-lo, ele sempre precisou de alguém para sentir a sua presença.

Esse conto foi escrito por uma das minhas alunas, Rebeca Bivar,
como forma de avaliar o uso da língua para expressar
os seus sentimentos de uma maneira criativa.

sábado, 1 de novembro de 2014

Halloween Party


Hoje, dia 1º de novembro, meus alunos, mais uma vez, me mostraram o prazer e a beleza dessa profissão que eu escolhi. A coisa mais gratificante que algum professor pode sentir é ver seus alunos porem em prática o que aprenderam, usar aquele conhecimento de diferentes formas, em contextos distintos, unindo aprendizado e diversão, e mais, vê-los crescer a cada dia me dá motivos para sorrir. Na festa de Halloween, organizada pelos próprios alunos, percebeu-se o uso da língua inglesa e um pouco mais de contato com a cultura em si, com as tradições e costumes relacionados a essa festividade, brincadeiras e, também, espaço para que os alunos pudessem expressar seus talentos, seja cantando, tocando algum instrumento, ou praticando algum esporte, enfim, todo o conjunto me deixou bastante orgulhoso. I've got nothing else to say, but thank you. 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A Fallen Angel

Well... First of all, I’m the narrator and you shall never know who I am, you don't need to see my outside to know in deep what I am from the inside. I'm going to tell you a story about an angel, a fallen one, to be specific. Don't you worry, he's fallen but he's not mean at all! You must be wondering "why is he fallen if he isn't a bad angel?" and now you must comprehend that intense love can also take you away from your path and it isn’t a bad thing. From the beginning:
Miguel wasn’t very tall, actually, pretty short... Tiny eyes, his skin tone was gold and bright as the colour of his eyes, he would be an ordinary angel, if he didn’t have those beautiful and big wings that could take him anywhere he wanted to. But the most important thing about him is that, besides the beauty, he was usually concentrated in something good, he was always trying to find his love, he didn't want something or someone to call his, he wanted something or someone to fill his empty and good heart and that is when the story begins…
It was a normal day in his life, he was flying around and meeting new people until the moment he saw a pretty girl, but she wasn’t like the others that he had ever seen, those red cheeks and those eyes got him as easily as stealing a child’s candy. He couldn’t let her go without talking to her, he tried to approach several times, but the girl didn’t notice the angel and that made Miguel realise that the girl wasn’t okay, that she wasn’t protected, she needed his attention.
He followed her for fifteen days in a row and he found out that she has always been putting herself in troubles and that she had a secret place, a random place with trees and sand; he also found a way to contact her: he left a part of his feather every day that she was there, but he knew that, by doing that, he would lose his life as an angel and he would become a human and that was what happened. His fall was so big that he also lost his powers, therefore he was a fallen angel without any power, he could be seen but couldn’t be felt… Then, he was the one who needed someone to help him; the girl, for the first time, felt his presence and helped him.
Thus, he learned a lesson with her, he’s never needed a love to see him, he has always needed someone to feel his presence.

This short story was written by one of my students, Rebeca Bivar,
as a way to evaluate the use of the English language
to express her feelings in a creative way.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Clare

       Clare é uma garota intrigante que eu conheci durante uma das minhas viagens ao redor do mundo; ela tem olhos estonteantes, os quais me hipnotizaram desde a primeira vez que eu a vi. Talvez ela tenha dez ou onze anos... Eu não tenho certeza da idade dela, mas eu posso dizer que ela não parece ter apenas aquela idade. Ela tem sabedoria e conhecimento inacreditáveis que tornam a sua alma cem anos mais experiente. Ela tem uma pele branca, um longo cabelo preto e um sorriso curioso que está sempre no seu rosto.
        Eu a conheci quando eu estava voltando para o meu hotel após um passeio na praia de Youghal, na Irlanda. Ela estava sentada em uma pequena praça brincando com uma das suas bonecas e, de repente, ela se levantou e começou a me encarar com uma expressão curiosa.
        -Ei pequenino, o que você está fazendo aqui? –Ela me perguntou. Eu fiquei surpreso com aquela atitude e levei alguns segundos para responder.
         -Oh, pequenino? –Eu sorri. –Eu estou voltando para o meu hotel!
        -Não, você não entende minha pergunta, o que você está fazendo aqui? –Ela repetiu com um sorriso.
       -Pequena, o que você quer dizer com isso? –Naquele momento, eu estava bem confuso.
        -Você sabe, eu tenho certeza. Eu estou me perguntando por que você viajou tão longe para encontrar algo que você pode encontrar dentro de você mesmo. –Ela olhou para mim calmamente e gesticulou para eu sentar ao lado dela.
       -O que eu estou procurando? –Ela continuou a brincar com a boneca dela. Depois de um longo tempo em silêncio, ela me encarou novamente com aqueles olhos que me hipnotizavam e respondeu calmamente.
       -Eu senti um vazio dentro de você desde o primeiro dia que você chegou nessa cidade. Eu tentei descobri o porquê. Eu não pude ver nada, exceto uma alma solitária procurando um lugar para ficar em paz. Na verdade, antes de te ver, eu senti que eu tinha o compromisso de mostrar-lhe um modo de encontrar essa paz. –Ela pegou um pouco de areia, sorriu novamente e jogou a areia em uma pequena poça. –Venha ver a mágica, pequenino! –Eu levantei rapidamente e me ajoelhei perto de Clare. –Você vê a mágica?
       -Desculpe, mas eu não vejo nada a não ser água e areia.
       -Esse é o seu problema, você está sempre procurando paz, mas você não entende que a paz está em tudo que pode ficar em harmonia com a natureza. Veja... –Ela repetiu o que ela tinha feito. –Olhe através da água, mesmo com a visita inesperada dos grãos de areia, depois de algum tempo, ela consegue se ajustar ao seu ritmo calmo novamente. Está tudo ligado à aceitação, a água está em paz porque ela aceita o que quer que venha, bom ou ruim. Quando ela aceita, os intrusos se tornam parte de seu reflexo. –Eu assisti à água enquanto ela soluçava. Quando eu olhei para o meu lado, a garotinha tinha ido embora, deixando apenas a sua boneca perto do monte de areia. Depois de algum tempo processando o que tinha acontecido, eu peguei a boneca e vi que estava escrito: “pertence à Clare”...
      Sem dúvida, Clare foi uma das melhores coisas que já aconteceu comigo. Eu estou dizendo isso porque, em alguns minutos, ela criou dentro de mim um sentimento marcante e ela me deu a forma de encontrar minha paz sozinha. Ela me trouxe mais que tudo e, de alguma forma, ela me ensinou como ver as coisas com outros olhos, talvez com olhos estonteantes...


Esse conto foi escrito por uma das minhas alunas, Maryna Viana,
como forma de avaliar o uso da língua para expressar
os seus sentimentos de uma maneira criativa.

sábado, 25 de outubro de 2014

Clare

Clare is an intriguing girl who I met during one of my trips around the world; she has dizzying eyes which have mesmerized me since the first time I saw her. Maybe she is ten or eleven… I am not sure about her age, but I can say that she does not seem to be only that age. She has an unbelievable wisdom and knowledge that make her soul a hundred years more experienced. She has a white skin,  long black hair and a curious smile that is always on her face.
I met her when I was coming back to my hotel after a walk at Youghal beach, in Ireland. She was sitting at a small square playing with one of her dolls and suddenly she stood up and started staring at me with a curious expression.
- Hey little, what are you doing here? – She asked me. I was surprised with that attitude and it took me a few seconds to respond.
-Oh, little? – I smiled -  I’m coming back to my hotel!
- No, you don’t understand my question, what are you doing here? –She repeated with a smile.
- Little, what do you mean by this? – At that moment, I was very confused.
-You know, I'm sure. I'm wondering why you have travelled so far to find something that you can find within yourself – She looked at me quietly and gestured at me to sit by her side.
-What I’m looking for? – She continued to play with her doll. After a long time in silence, she stared at me again with those eyes that mesmerized me and answered quietly.
- I felt some emptiness inside you since the first day you arrived in this town. I tried to figure out why. I couldn't see anything but a lonely soul looking for a place to be in peace. Actually, before I saw you, I felt that I was committed to show you a way to find this peace. – She picked up some sand, smiled once again and threw the sand in a small pond. – Come see the magic, little! - I got up quickly and got down on my knees next to Clare. – Do you see the magic?
- Sorry, but I can’t see anything unless water and sand.
-That’s your problem, you’re always looking for peace, but you don’t understand that peace is in everything that can be in harmony with nature. See… - She repeated what she had done before. – Look through the water, even with the unexpected visit of the sand grains, after some time, it manages to suit its calm rhythm again. It's all about acceptance, the water is in peace because it accepts whatever comes, good or bad. When it accepts, the intruders become part of its reflection. - I watched the water while she sobbed. When I looked at my side, the little girl had gone, leaving only her doll near the small mound of sand. After some time processing what had happened, I got the doll and saw that it was written: "belongs to Clare”...
Without a doubt, Clare was one of the best things that has ever happened to me. I’m saying this because in a few minutes she created inside me an outstanding feeling and she gave me the way to find my peace by myself. She brought me more than everything and somehow she taught me how to see the things with other eyes, maybe dizzying eyes…


This short story was written by one of my students, Maryna Viana,
as way to evaluate the use of  the English language
to express her feelings in a creative way.




quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Morra, Demônio!

Ele o odiava. Na verdade, eles se odiavam. Estava certo? Aquilo não era considerado pecado? Não importa. Não havia qualquer sentimento bom envolvido no relacionamento entre os dois. Viviam sob o mesmo teto, sempre se encontrando no meio da sala de estar ou na cozinha, eles precisavam suportar um ao outro. Eles eram tão diferentes. Ter que ver aqueles rostos com o qual nenhum deles poderia lidar era horrível.
Certa noite, após outra briga diária, o garoto se trancou no quarto, enraivecido. Não suportava mais aquilo. Pensava em diversos meios para acabar com aquela tortura e mandar aquele ser de volta para as sombras, lugar de onde ele nunca deveria ter saído. A voz daquele monstro, seu rosto, sua forma de andar, suas roupas, tudo irritava o pobre garoto. Principalmente, saber que ainda respiravam o mesmo ar e que habitavam o mesmo mundo. Não! Não havia lugar para os dois, só um poderia viver.
O tempo passava. A madrugada chegou rápido. E o garoto ainda estava acordado. Não conseguia dormir, não com aquele bicho respirando no quarto ao lado. Ele desceu da cama, ficou de pé, abriu a porta do quarto e direcionou-se ao aconchego do monstro. Ao abrir a porta, lá estava ele. Dormindo tão confortavelmente como o demônio o faz no inferno. A raiva tomou conta do garoto e, junto com ela, surgiu uma ideia, ao mesmo tempo tão fria e tão excitante.
Caminhou lentamente até a cozinha da casa. Não podia fazer barulho. Acendeu o fogão, pegou uma panela cheia de água e colocou para esquentar. Esperou ansiosamente.
-Tempo, maldito tempo, fizestes com que eu esperasse bastante e eu pensei que você iria dar um jeito nisso, mas não o fizestes. Não se preocupe, isso acaba agora. –O menino suspirou olhando para o teto.
Apanhou um pano que estava no chão, apagou o fogo e pegou a panela com cuidado. Caminhava lentamente, muito lentamente, tentando evitar até mesmo respirar, para ter certeza de que nada pudesse acordar o demônio do seu sono profundo. Empurrou a porta usando um dos seus pés, adentrou, encarou, pela última vez, aquele rosto que nunca mais seria o mesmo, aquele demônio que iria encontrar os seus amigos no inferno.
De repente, em um movimento rápido, derramou a água quente no ouvido do ser adormecido, espalhando-a por toda a cabeça. O demônio acordou. Deu um grito fraco e rápido, calando-se com a quantidade de água que entrara em sua boca. O garoto sorriu alto e sentiu um alívio, um alívio fantástico e confortável, mesmo após ter matado o seu próprio pai.

Lianderson Ferreira

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Die, you devil!

      He hated him. Actually, they hated one another. Was that right? Wasn’t it considered as a sin? It doesn’t matter. There wasn’t any kind of good feeling involved with their relation. They lived under the same ceiling, always meeting in the middle of the living room or the kitchen, they needed to bear each other. They were so different. Having to see those faces that none of them could deal with was awful.
     In some evening, after another daily fight, the boy locked himself in the bedroom, mad. He couldn’t bear that anymore. He thought of several ways to end that torture and send that being back to the shadows, the place which he should have never left. That monster’s voice, his face, his walking, his clothes, everything bothered the poor boy. Mainly, knowing that they still breathed the same air and inhabited the same world. NO! There was no place for both, only one could survive.
     The time passed by. The dawn came out quickly. And the boy was still awake. He wasn’t being able to sleep, not with that beast breathing in the next room. He got off his bed, made himself be standing, opened the door and went straightforwardly to the monster’s place. As soon as the boy opened the other door, he was there: sleeping so comfortably as the devil does in hell. All that anger controlled him and, along with it, an idea came out of the blue, so cold and so exciting at the same time.
       He walked smoothly towards the kitchen of the house. He couldn’t be noisy. He lit the cooker, got a pan full of water and warmed it. He waited anxiously.
         -Time, damn freaking time, you made me wait a lot and I thought you would fix that for me, but you didn’t. Don’t worry, nevertheless, this ends now. –The boy whispered staring at the roof.
      He picked up some cloth from the ground, unlit the fire and carried the pan carefully. He walked slowly, very smoothly, trying to avoid breathing in order to make sure that nothing could wake the devil up from his deep sleep. He pulled the door using one of his feet, went in, stared at, for the last time, that face which would never be the same again, that devil who was going to meet his mates in hell.
     Suddenly, in a swift motion, he poured out the warm water into the sleeping being’s ear, spreading it for all over his head. The devil woke up. He screamed weakly and quickly, shut his mouth up with the amount of water which entered into his mouth. The boy laughed out loud and felt relieved, a fantastic and comfortable relief, even after killing his own dad.

Lianderson Ferreira

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

"Palavra é Arte"


Hello, mates!

      Decidi criar esse post para falar um pouco sobre o livro que mencionei anteriormente. Bem, como iniciativa de um projeto do autor Gilberto Martins em associação com a Cultura Editorial, o projeto "Palavra é Arte" reúne um conjunto de autores de diversas regiões do Brasil para publicar textos do gênero conto, crônica e prosa poética numa antologia destinada ao auxílio no ensino em escolas públicas e privadas.
     Após receber o convite para participar de uma das edições, enviei cinco dos meus contos para serem publicados; uma vez que a obra prioriza a diversidade temática, cada conto tem sua particularidade: "Oitenta e Seis Anos" foi o texto que o autor Gilberto Martins leu na minha conta no Recanto das Letras e que desenvolveu o interesse do mesmo pela minha narrativa; eu escrevi esse texto inspirado na música "I'll never forget you" da cantora britânica Birdy e o conto foi o escolhido como o primeiro da antologia. "A Jovem de Preto", "Viúva Negra" e "Romance no Cemitério" possuem temáticas distintas que vão desde suicídio à crítica implícita em relação ao preconceito. "Pensamentos de um Cão" é um conto cujo título sugere duas interpretações e pode confundir o leitor, uma vez que, devido ao tipo de afeição que eu tenho por temas mais sombrios, macabros,  relacionados a terror e suspense, o leitor pode interpretar o "Cão" como algo ruim; contudo, o conto segue um outro enredo totalmente desvinculado desse tipo de abordagem. "Pensamentos de um Cão" foi o conto escolhido para fechar a obra.
      Dada a variedade de autores de diferentes locais do país, uma publicação oficial do livro se torna inacessível, sendo assim, fica a cargo de cada autor organizar um evento para publicar o livro no seu estado, assim como, também, fica a cargo dos escritores a venda do livro. Sendo assim, se tiver qualquer interesse em adquirir a obra, você pode enviar um email para ferreiralianderson@gmail.com ou deixar um comentário.

PS.: Gostaria de agradecer bastante a todos que curtiram a minha página no facebook ( https://www.facebook.com/Professorliandersonferreira ) e que visualizaram o blog. Obrigado por estarem apoiando o início de algo tão importante para mim.

Thank you very much,
See you soon!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Entendendo os "Porquês"

Olá, pessoal!!

     Bem, nessa primeira postagem, eu gostaria de focar um pouco nos "porquês" para a criação desse blog, como pretendo usá-lo e qual o objetivo, para que, dessa forma, os futuros leitores entendam a essência do blog.
     Recentemente, alguns acontecimentos mudaram bastante minha forma de pensar e influenciaram diretamente nos meus anseios. Um desses acontecimentos diz respeito a um convite que recebi de uma editora para publicar oficialmente alguns dos meus contos numa antologia que visa auxiliar no ensino em escolas públicas e privadas por meio da escrita criativa. Sendo assim, aceitei participar do projeto e publiquei cinco contos nessa obra, sendo dois deles escolhidos para introduzir e concluir a antologia.
     Porém, um outro motivo que me incentivou a criar esse blog está relacionado com o desejo de compartilhar diferentes pontos de vista sobre temas distintos e por meio de formas variadas, abrindo um espaço para expor e pôr em discussão esses tópicos, contribuindo, talvez, para a formação de leitores e seres humanos com mentes mais abertas.
     Pretendo, também, fazer desse blog um espaço para publicar trabalhos desenvolvidos junto com meus alunos, assim como textos de amigos e leitores, sejam contos, fan fictions ou qualquer outra forma de expressão. Por esse motivo, será bastante comum a alternância no idioma das postagens, uma vez que, como professor de língua inglesa, meus alunos vão desenvolver trabalhos utilizando a língua alvo.
    Enfim, espero conseguir tornar esse blog um espaço amplo para compartilhar bastante coisa diferente, legal e divertida, visando o entretenimento, mas também a reflexão.
I hope you like it.
See you!