Ele
andava lentamente pela rua: uma camisa qualquer mais uma bermuda qualquer e um
par de havaianas. Com a cabeça baixa e os olhos lacrimejando. Estava cercado de
pessoas, mas imerso no seu próprio mundo interior. Pensando em seus pensamentos;
confuso com as suas próprias confusões; indeciso analisando as próprias
indecisões. Incomodado com seu silêncio, mas barulhento demais para dizer
qualquer coisa com clareza.
Ao
virar a esquina da rua de sua casa, esbarrou em algo. Poderia ser um cachorro,
um ladrão, um poste, um caminhão, um assassino. Só que não. Queria que fosse.
Era apenas mais uma pessoa, com um rosto meigo e gentil.
-Não!
–Sussurrou.
A
pessoa franziu as sobrancelhas e olhou para o rosto dele com atenção. O garoto
temia com todas as suas forças o que estava por vir. Olhou para os lados.
Queria correr. Para onde? Não parecia saber.
-Você
está bem, garoto? Você parece meio... –Aconteceu.
Oliver
sentiu ondas salgadas e fortes vindas do seu oceano Tristânico, caindo pelo seu rosto e inundando sua face. Os lábios
tremiam. As batidas do seu coração podiam ser escutadas a quilômetros de distância.
Sua cabeça se tornou um tipo especial de bomba atômica: incapaz de ferir outras
pessoas, mas capaz de explodir um mundo inteiro. O mundo dele.
Suas
pernas fraquejaram e a pessoa segurou seu braço direito. Oliver a olhou nos
olhos. Surpreso.
-O
que você está fazendo? –Ele conseguiu dizer.
-O
que você quer dizer? Venha. Senta aqui comigo. Vamos conversar. Quer um copo d’água?
-Isso
não é real. Você não existe. –Ele bebia as suas próprias lágrimas a cada
palavra.
-Garoto,
se você se acalmar e conversar comigo, prometo que posso tentar te ajudar.
Encontrar uma solução para o seu problema ou algo do tipo, só...
-Não,
você não pode me ajudar. Você não pode me entender. Ninguém entende. Eu não entendo.
–Ele chorava mais. Suas mãos pareciam estar sendo eletrocutadas. –Há várias
soluções, mas nenhuma coragem para tomá-las. Me deixa em paz. ME DEIXA EM PAZ. –E
ele correu.
A
pessoa ficou surpresa. Levou a mão a boca se perguntando se deveria ir atrás
dele ou, de fato, deixá-lo ir e ficar em paz.
Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Aquela
palavra ecoou no espaço e parece ter ficado entre eles até ele sumir de vista.
E foi isso. Sumiu. Na verdade, tudo começou sumindo aos poucos. Seu sorriso,
suas boas lembranças, seus amigos, sua família, sua vontade de viver, sua
esperança, sua fé. Sua identidade. E por último, ele mesmo sumiu, do mundo dos
vivos, pelo menos.
Algumas
horas depois, a pessoa falava com a imprensa:
-Ele
era só mais uma alma perturbada.
Que
não encontrou PAZ.
Fim
Lianderson Ferreira