quarta-feira, 29 de julho de 2015

Resenha: O Prazer é Todo Nosso - Lola Benvenutti


Nem Santa, Nem Puta: Mulher!

O livro "O Prazer é Todo Nosso", escrito por Lola Benvenutti, é simplesmente uma estrada a ser percorrida por aqueles que querem refletir sobre o próprio corpo, sobre as práticas sexuais, sobre os valores e tradições da nossa sociedade patriarcal e machista, entre várias outras coisas.

Ele é dividido em duas partes: na primeira, ela descreve algumas das suas experiências sexuais com diferentes clientes; os motivos que os fizeram procurá-la; o que ela aprendeu com cada um deles; como ela cresceu como pessoa e como passou a conhecer mais e mais o seu próprio corpo com cada experiência e aventura; na segunda, ela meio que reflete um pouco sobre a nossa sociedade; conta como foi lidar com a rejeição da família e amigos ao assumir publicamente sua escolha; fala sobre a dificuldade de se libertar das amarras da sociedade conservadora na qual estamos todos inseridos; cita o movimento da "Marcha das Vadias" e fala da importância desses movimentos.

Pessoalmente, eu fui levado a analisar bastante os valores arraigados na nossa sociedade, coisas que podem ser, por vezes, destrutivas, quando se trata da aceitação das escolhas alheias. Hoje em dia, ser homossexual, travesti, lésbica, ou ser uma mulher independente, totalmente autônoma sobre o seu próprio corpo e suas próprias escolhas, significa ser estigmatizado(a), uma vez que você não se encaixa no que é "normal" para a maioria. Contudo, esse tipo de pensamento é algo que deve ser desconstruído, como Lola afirma:

Penso que a sociedade atual, com seus valores conservadores, precisa mudar sua forma de ver o indivíduo e suas idiossincrasias. Embora tudo seja muito tênue e incerto, o esforço para desconstruir essas concepções tão arraigadas em nossa sociedade, responsáveis por atos de intolerâncias com relação à diversidade de manifestações da sexualidade, é sempre válido. Não devemos permitir que a violência contra mulheres, homossexuais, travestis e prostitutas se torne 'natural'. Afinal, todos nós somos humanos e o respeito deve acontecer em qualquer circunstância, independentemente das escolhas sexuais individuais.

Por que um menino que se masturba, que "pega" várias garotas, que não tem pudor na hora de falar sobre sexo é considerado "macho" e recebe vários elogios dos amigos e até mesmo da família, enquanto uma mulher não deveria sequer usar roupas mais curtas ou, na pior das hipóteses, falar um pouco mais alto? Há uma grande disparidade na forma de conceber os gêneros. Atualmente, vários movimentos estão na luta para mudar essa realidade. Todavia, há muito a ser percorrido ainda.

A questão é não temer ser quem você é. Fazer suas escolhas e assumi-las. E, como Lola mesmo fala no livro, uma vez que você se aceita, as críticas e olhares alheios se tornam irrelevantes, porque se você se conhece, se você sabe do que gosta e o que quer, o resto é o de menos. É tudo questão de se aceitar e respeitar as escolhas individuais das pessoas. Essas duas coisas simples ajudam, com certeza, a evitar a tristeza pela qual um(a) adolescente que está se descobrindo pode passar ao não ser aceito pela sociedade e, principalmente, pelas pessoas que mais ama. Lutemos para fazer desse mundo um lugar melhor de se viver, no qual o único medo seja o de não ser feliz.

Lianderson Ferreira

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Romance in the Cemetery

          It seemed to be a normal evening. Mr. Antonio left home and was heading to his night journey in the municipal cemetery. He was expecting that it would be only some more boring and tiresome hours of work.
          As soon as he arrived at the place, he started to walk silently, counting hours for that night to end quickly.
          Suddenly, he heard some noise. Something, besides him, walked around the cemetery. He trembled with fear.
          Would it be a thief? Drug users? A ghost?
          He needed to figure it out. He walked slowly. He didn't want them to notice his presence. After some footsteps, he saw the shadows of two people over the cemetery wall. He could not see the people, only the shadows.
          He remained stuck where he was, watching. And got surprised with what he saw: the shadows seemed to hug each other. A true embrace.
-A couple. -He whispered.
         He got even more curious. He wanted to know who those people were and why they chose a cemetery to date.
         Walked a bit more, but realised that the shadows were kissing then. As he didn't want to be inconvenient, he returned a little. The shadows looked happy. The old man felt touched with that scene.
          He did not need an explanation, a reason, didn't even need to comprehend that situation, after all, they were happy.
          Suddenly, the shadows stopped kissing. And, holding hands, they walked towards the way out. For Mr. Antonio, knowing who those people were did not matter anymore. Despite that, he went after them, just curiosity. When he turned right, he stopped, shocked. Actually, those shadows did not belong to proper people, they were two skeletons that walked calmly, crossing the gate of the cemetery and disappearing next.
          The old man got confused. He sat on the ground and stared at nothing.
          Those skeletons, whom did they belong to?
          Did they belong to a man and a woman? To two men? To two women? To black people? Or to white people? Did they belong to thin people or fat ones? He would never know.
          The only conviction he had was that, regardless of everything he believed in or used to think it was right, they were happy.

Lianderson Ferreira