Mostrando postagens com marcador Versão em Português. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Versão em Português. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Passos

       Por volta das onze badaladas do relógio, numa noite sombria, sem lua, nem estrelas, eu voltava para casa após um longo e cansativo dia de trabalho, caminhando por uma rua escura e, aparentemente, deserta. O Silêncio era gritante. Seria possível ouvir alfinetes caírem ao chão. Até que, de repente, eu ouvi passos. Passos fortes e apressados, como quando se quer alcançar alguém.
       Eu olhava para trás, o barulho pausava e eu nada via. Continuei andando, dessa vez um pouco menos lento. E o barulho dos passos recomeçava. O que seria aquilo? Eu não estava nem um pouco curioso para descobrir. Apressei-me. E os passos ocultos acompanharam meu ritmo. Eu corri. Não sabia do que estava fugindo, mas algo me dizia que eu tinha de correr. Tão rápido quanto eu fosse capaz. Os passos também o fizeram. Gritei.
       Eu consegui correr mais rápido ainda. Aquela rua parecia nunca ter fim. Nenhum carro, nenhuma casa. Apenas os passos e eu.
       Parei por um segundo, tomei fôlego e tentei ouvir os passos. Nem precisei me esforçar tanto, eles continuavam firmes e cada vez mais apressados. O que seria aquilo? Indaguei-me novamente. Mas os passos se aproximavam. Não conseguiria manter o ritmo por muito tempo. Eu cambaleei, tropecei inúmeras vezes, mas eu sabia que não podia parar. O barulho estava cada vez mais alto, mais forte, mais perto. Os passos haviam me alcançado. Então, subitamente, eu caí da cama. E Acordei!

Lianderson Ferreira

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Lembranças

Batiam quinze horas no relógio da sala, levantou-se do sofá e foi à janela. Era uma tarde chuvosa de domingo. Lá fora o céu estava escuro, mas não tão escuro quanto seu coração.
Fazia exatamente três anos que seu filho partira para a guerra. No quarto do seu garoto, fez questão de manter tudo como ele o deixou. O mesmo lençol, a mesma escrivaninha desarrumada que ainda continha o livro de Robert Musil aberto na página noventa e oito, fez questão até mesmo de manter sobre ela a xícara de chá que ele costumava tomar antes de dormir.
O marido havia falecido há poucos meses, jamais experimentara tamanha solidão. Achava-se velha demais para os passeios matinais ou ida às missas do domingo e já não enxergava tão bem para ocupar seu tempo em uma máquina de costura.
Fechou a janela e caminhou até onde ficava o velho piano. Sentou-se, limpou um pouco da poeira que havia se formado sobre ele e arriscou algumas notas. Lembrou-se de quando seu marido costumava tocar um bom jazz nas noites de segunda quando voltava da repartição pública enquanto ela o acompanhava tomando um vinho francês. Pôs-se de pé e começou a chorar. Chorou o que jamais havia chorado ao decorrer daqueles três anos, pois percebera que não teria seu marido de volta e que seu filho nunca regressaria ao lar.
Foi então que tomou uma decisão. Saiu da sala sem pressa e foi em direção ao banheiro, pegou um frasco do seu medicamento que Adalberto, seu médico particular, havia prescrito para ajuda-la a dormir. Passou na cozinha e trouxe consigo para o quarto um copo d’água. Tomou dez comprimidos de uma só vez. Pensou que tirar sua vida seria muito mais fácil. Deitou em sua cama e esperou lentamente o sono chegar, e no dia seguinte não havia mais lembranças, não havia mais choro, não havia mais dor... não havia mais nada além da certeza da morte...

Esta história foi escrita por uma das minhas amigas,
Amanda Luna.



terça-feira, 25 de novembro de 2014

A História Revoltante de Cinderela

          Bem... vocês provavelmente me conhecem, mas não sabem a minha história, minha maldita história. Eu vou contar a vocês minha história real. Como todos vocês devem saber, meu pai morreu e eu estou morando com as minhas meio-irmãs e minha maldita madrasta. Vocês também sabem que elas (vocês podem chamá-las de "vadias") são muito más e eu sou a pobre e ingênua garota que trabalha como faxineira para elas. Então, deixem-me contar o que é diferente...
           Através da história, há uma fada madrinha que faz algumas coisas se transformarem em outras coisas com mágica, como uma abóbora em uma carruagem. Até agora tudo ótimo, mas hmm, vocês não acham que ela faria algo de graça, certo? Vocês acham? Ora, ora, contos de fada estão sempre enganando vocês. Por quanto tempo, senhor?! Então, basicamente, ela faz as coisas de graça, mas vocês já ouviram que deveriam sempre suspeitar quando algo é muito fácil de conseguir ou alguém está dando-lhes sem pedir nada em troca? Se vocês não ouviram, comecem a pensar sobre isso.
           Enfim, há um príncipe, certo? Todos os contos de fada trazem um príncipe... bleh, eu não posso acreditar quão estúpidos os príncipes podem ser. Além disso, eu sequer sei o que acontece na cabeça das princesas para se apaixonarem por eles. Eu acho que é por causa de dinheiro, claro. Desculpem, eu estou destruindo a sua infância, mas essa é a verdade.
          Bem, eu não sou como aquelas princesas, porque todas elas (ou a maioria delas) tiveram uma vida boa comparada com a minha. Elas foram amaldiçoadas? Sério? Como dormir para sempre ou algo do tipo? Humm, nada comparado com a minha maldição! Eu não precisei de magia ou feitiçaria para ser amaldiçoada. Eu preferiria dormir por mil anos ou casar com uma fera a ficar acordada todo dia e noite limpando a casa, o porão, e até partes da casa que eu nem conhecia! Estes são os motivos pelos quais eu estou com tanta raiva da minha vida triste e da vida boa que as outras princesas têm.
           Então, eu acho que vocês pensam que a minha vida mudou depois que a fada madrinha veio. VOCÊS ESTÃO TOTALMENTE ERRADOS! Eu serei bem breve: ela era maravilhosa quando veio até mim, ela me prometeu uma vida melhor... bem, havia um príncipe nos planos dela, eu não me importei, mas era de graça e eu não podia reclamar disso, certo? Bem, ela me deixou bem animada e eu tive que ir para o baile que o rei estava organizando. Ela disse que eu era a mulher mais linda do salão do baile e eu acreditei nela. Mas, uau, eu não sei como ela sucedeu para parecer tão bela, e Ó MEU DEUS, ela me fez dizer coisas que, EU NÃO SEI COMO, mas eu disse para o príncipe sobre ela, coisas que me deixaram bem confusa. Tais como quão bela ela era, ou talvez, a mais bela do mundo todo. Bem, ele era fofa, de fato, mas ela parecia um pouco velha, eu não estou tentando desrespeitar ninguém, mas qual príncipe quer uma mulher velha? Mas acreditem ou não, ELA ERA BONITA, eu estava de boca aberta. Mas isso passou. Agora eu estou frustrada e com muita raiva!! Atualmente, o príncipe vive sob um feitiço que o faz amá-la e fazer tudo o que ela quer! Estúpido...
           Eu acho que vocês querem saber o que aconteceu com a minha madrasta e minhas meio-irmãs. Bem... Eu fugi de lá. Há rumores de que elas estão vivendo muito bem. E que inferno, minha madrasta casou com o rei. Ó Deus, vocês querem saber o que aconteceu comigo? Sério? Preparem-se porque não é o que vocês estavam esperando. Eu estou vivendo na floresta e a única coisa que me faz feliz é que meus amigos camundongos estão sempre comigo. E adivinhem? Eu estou morando com Tarzan e Jane!!! Eles são bem legais e gentis conosco.
          Então, desculpem-me se eu arruinei o que vocês pensavam sobre contos de fadas, príncipes, princesas e fadas-madrinha. Bem, por trás de toda história, há uma mentira, certo? E, uau, que mentira minha história é, uh?

Esta fan fiction foi escrita por um dos meus alunos, Iury Sonho,
como forma de avaliar o uso da língua para expressar
os seus sentimentos de uma maneira criativa.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Um Anjo Caído

            Bem... Em primeiro lugar, eu sou a narradora e você nunca saberá quem eu sou, você não precisa ver meu exterior para conhecer profundamente o que eu sou por dentro. Eu vou te contar uma história sobre um anjo, um caído, para ser específica. Não se preocupe, ele é caído, mas ele não é nem um pouco mau! Você deve estar se perguntando "por que ele é caído se ele não é um anjo mau?" e, agora, você deve compreender que amor intenso também pode tirar você do seu caminho e isso não é uma coisa ruim. Do começo:
          Miguel não era muito alto, na verdade, muito baixo... olhos minúsculos, seu tom de pele era dourado e brilhante como a cor dos seus olhos, ele seria um anjo normal, se ele não tivesse aquelas grandes e belas asas que podiam levá-lo para qualquer lugar que ele quisesse. Mas a coisa mais importante sobre ele é que, além da beleza, ele estava sempre concentrado em algo bom, ele estava sempre tentando encontrar seu amor, ele não queria algo ou alguém para chamar dele, ele queria algo ou alguém para preencher seu coração bom e vazio e é aí que a história começa...
           Era um dia normal na vida dele, ele estava voando ao redor e conhecendo pessoas novas até o momento que ele viu uma bela garota, mas ela não era como as outras que ele já tinha visto, aquelas bochechas vermelhas e aqueles olhos o pegaram tão facilmente quanto roubar um doce de uma criança. Ele não poderia deixá-la ir sem falar com ela, ele tentou se aproximar várias vezes, mas a garota não notou o anjo e isso fez Miguel perceber que a moça não estava bem, que ela não estava protegida, ela precisava da atenção dele.
          Ele a seguiu por quinze dias consecutivos e ele descobriu que ela estava sempre se metendo em problemas e que ela tinha um lugar secreto, um lugar aleatório com árvores e areia; ele também encontrou uma maneira de contactá-la: ele deixava uma parte de sua pena todos os dias que ela estava lá, mas ele sabia que, fazendo aquilo, ele perderia sua vida como um anjo e se tornaria um humano e foi isso o que aconteceu. Sua queda foi tão grande que ele também perdeu seus poderes, portanto ele era um anjo caído sem nenhum poder, ele poderia ser visto mas não poderia ser sentido... Então, ele era aquele que precisava de alguém para ajudá-lo; a garota, pela primeira vez, sentiu a presença dele e o ajudou.
          Com isso, ele aprendeu uma lição com ela: ele nunca precisou de um amor para vê-lo, ele sempre precisou de alguém para sentir a sua presença.

Esse conto foi escrito por uma das minhas alunas, Rebeca Bivar,
como forma de avaliar o uso da língua para expressar
os seus sentimentos de uma maneira criativa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Clare

       Clare é uma garota intrigante que eu conheci durante uma das minhas viagens ao redor do mundo; ela tem olhos estonteantes, os quais me hipnotizaram desde a primeira vez que eu a vi. Talvez ela tenha dez ou onze anos... Eu não tenho certeza da idade dela, mas eu posso dizer que ela não parece ter apenas aquela idade. Ela tem sabedoria e conhecimento inacreditáveis que tornam a sua alma cem anos mais experiente. Ela tem uma pele branca, um longo cabelo preto e um sorriso curioso que está sempre no seu rosto.
        Eu a conheci quando eu estava voltando para o meu hotel após um passeio na praia de Youghal, na Irlanda. Ela estava sentada em uma pequena praça brincando com uma das suas bonecas e, de repente, ela se levantou e começou a me encarar com uma expressão curiosa.
        -Ei pequenino, o que você está fazendo aqui? –Ela me perguntou. Eu fiquei surpreso com aquela atitude e levei alguns segundos para responder.
         -Oh, pequenino? –Eu sorri. –Eu estou voltando para o meu hotel!
        -Não, você não entende minha pergunta, o que você está fazendo aqui? –Ela repetiu com um sorriso.
       -Pequena, o que você quer dizer com isso? –Naquele momento, eu estava bem confuso.
        -Você sabe, eu tenho certeza. Eu estou me perguntando por que você viajou tão longe para encontrar algo que você pode encontrar dentro de você mesmo. –Ela olhou para mim calmamente e gesticulou para eu sentar ao lado dela.
       -O que eu estou procurando? –Ela continuou a brincar com a boneca dela. Depois de um longo tempo em silêncio, ela me encarou novamente com aqueles olhos que me hipnotizavam e respondeu calmamente.
       -Eu senti um vazio dentro de você desde o primeiro dia que você chegou nessa cidade. Eu tentei descobri o porquê. Eu não pude ver nada, exceto uma alma solitária procurando um lugar para ficar em paz. Na verdade, antes de te ver, eu senti que eu tinha o compromisso de mostrar-lhe um modo de encontrar essa paz. –Ela pegou um pouco de areia, sorriu novamente e jogou a areia em uma pequena poça. –Venha ver a mágica, pequenino! –Eu levantei rapidamente e me ajoelhei perto de Clare. –Você vê a mágica?
       -Desculpe, mas eu não vejo nada a não ser água e areia.
       -Esse é o seu problema, você está sempre procurando paz, mas você não entende que a paz está em tudo que pode ficar em harmonia com a natureza. Veja... –Ela repetiu o que ela tinha feito. –Olhe através da água, mesmo com a visita inesperada dos grãos de areia, depois de algum tempo, ela consegue se ajustar ao seu ritmo calmo novamente. Está tudo ligado à aceitação, a água está em paz porque ela aceita o que quer que venha, bom ou ruim. Quando ela aceita, os intrusos se tornam parte de seu reflexo. –Eu assisti à água enquanto ela soluçava. Quando eu olhei para o meu lado, a garotinha tinha ido embora, deixando apenas a sua boneca perto do monte de areia. Depois de algum tempo processando o que tinha acontecido, eu peguei a boneca e vi que estava escrito: “pertence à Clare”...
      Sem dúvida, Clare foi uma das melhores coisas que já aconteceu comigo. Eu estou dizendo isso porque, em alguns minutos, ela criou dentro de mim um sentimento marcante e ela me deu a forma de encontrar minha paz sozinha. Ela me trouxe mais que tudo e, de alguma forma, ela me ensinou como ver as coisas com outros olhos, talvez com olhos estonteantes...


Esse conto foi escrito por uma das minhas alunas, Maryna Viana,
como forma de avaliar o uso da língua para expressar
os seus sentimentos de uma maneira criativa.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Morra, Demônio!

Ele o odiava. Na verdade, eles se odiavam. Estava certo? Aquilo não era considerado pecado? Não importa. Não havia qualquer sentimento bom envolvido no relacionamento entre os dois. Viviam sob o mesmo teto, sempre se encontrando no meio da sala de estar ou na cozinha, eles precisavam suportar um ao outro. Eles eram tão diferentes. Ter que ver aqueles rostos com o qual nenhum deles poderia lidar era horrível.
Certa noite, após outra briga diária, o garoto se trancou no quarto, enraivecido. Não suportava mais aquilo. Pensava em diversos meios para acabar com aquela tortura e mandar aquele ser de volta para as sombras, lugar de onde ele nunca deveria ter saído. A voz daquele monstro, seu rosto, sua forma de andar, suas roupas, tudo irritava o pobre garoto. Principalmente, saber que ainda respiravam o mesmo ar e que habitavam o mesmo mundo. Não! Não havia lugar para os dois, só um poderia viver.
O tempo passava. A madrugada chegou rápido. E o garoto ainda estava acordado. Não conseguia dormir, não com aquele bicho respirando no quarto ao lado. Ele desceu da cama, ficou de pé, abriu a porta do quarto e direcionou-se ao aconchego do monstro. Ao abrir a porta, lá estava ele. Dormindo tão confortavelmente como o demônio o faz no inferno. A raiva tomou conta do garoto e, junto com ela, surgiu uma ideia, ao mesmo tempo tão fria e tão excitante.
Caminhou lentamente até a cozinha da casa. Não podia fazer barulho. Acendeu o fogão, pegou uma panela cheia de água e colocou para esquentar. Esperou ansiosamente.
-Tempo, maldito tempo, fizestes com que eu esperasse bastante e eu pensei que você iria dar um jeito nisso, mas não o fizestes. Não se preocupe, isso acaba agora. –O menino suspirou olhando para o teto.
Apanhou um pano que estava no chão, apagou o fogo e pegou a panela com cuidado. Caminhava lentamente, muito lentamente, tentando evitar até mesmo respirar, para ter certeza de que nada pudesse acordar o demônio do seu sono profundo. Empurrou a porta usando um dos seus pés, adentrou, encarou, pela última vez, aquele rosto que nunca mais seria o mesmo, aquele demônio que iria encontrar os seus amigos no inferno.
De repente, em um movimento rápido, derramou a água quente no ouvido do ser adormecido, espalhando-a por toda a cabeça. O demônio acordou. Deu um grito fraco e rápido, calando-se com a quantidade de água que entrara em sua boca. O garoto sorriu alto e sentiu um alívio, um alívio fantástico e confortável, mesmo após ter matado o seu próprio pai.

Lianderson Ferreira