sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Líquido Vermelho

Estava sentada ali há horas, pensando. Queria ver o filme de toda a sua vida dentro da sua cabeça, toda a sua história, todas as memórias guardadas lá dentro. Não sabia por quê. Três deles já haviam passado. O que estava esperando? Suspeitava ser o medo, porque nunca fora corajosa, sempre desistira das coisas difíceis e fugira das complicações. Ora não era isso o que estava prestes a fazer mais uma vez? Desistir? Pensou ser covardia também. Estava fugindo pela centésima vez, contudo, de uma maneira um tanto mais radical. Mas continuava sendo uma fuga. Escapismo. Sairia dali assim? Reconhecida por sua covardia? Perguntou a si mesma se não se tratava de uma pontinha de esperança lá no fundo do seu peito. Esperança de que tudo mudasse; de que as coisas se tornassem melhores com o tempo; de que todas aquelas frases de inspiração e encorajamento fizessem sentido finalmente. Mas, também podia ser apenas aquela espera eterna de que ele voltasse. O único ser que entrou na vida dela e a fez feliz de verdade.
Lembrou-se daqueles dias em que acordava e lá estava ele: deitado de bruços, o cabelo bagunçado e o ronco baixo que mais parecia música aos seus ouvidos. Lembrou-se das vezes em que ela era acordada com um beijo na testa, um sorriso amarelo bem na sua frente e um prato cheio de frutas para o café da manhã. Lembrou-se ainda do primeiro beijo. Ah, aquele beijo. Ela nem sabia como se sentir ao lembrar: se chorava por ser algo impossível agora ou se sorria por ter sido tão lindo.

Era a sexta declaração de amor dele para ela. Diamond nunca fora uma moça fácil de lidar. Ignorava todos os garotos que por ela se interessassem. Não porque não quisesse se sentir atraente, mas porque tinha medo do que poderia vir a ser, a acontecer. E de fato, aconteceu.
Walter lhe trouxe flores; Diamond pisou em cima delas. Walter comprou-lhe uma caixa de chocolate importado; Diamond jogou dentro do bueiro que ficava na frente de sua casa. Walter lhe trouxe seu sorvete favorito; Diamond cuspiu nele e ignorou toda aquela baunilha congelada. Walter sabia da paixão dela por fotografias e deu-lhe uma câmera digital para ela guardar as belas paisagens da natureza; Diamond  jogou-a dentro do rio; Walter fez um desenho lindo de Diamond sorrindo graciosamente, mas ela picou o papel em pedacinhos. Na sexta tentativa, ele não trouxe nada nas mãos. Sempre chegava com algo. Chegava sorridente e saía com as mãos abanando e o rosto com aquela expressão de dor. Dessa vez, veio chorando. Olhou dentro dos olhos de Diamond e disse: “Eu não estou desistindo. Não se desiste de algo tão lindo, de alguém tão encantadora. Mas meu coração não aguenta mais ser tratado como flores pisoteadas ou como papeis picados. Eu te amo, Diamond. Mas não quero me sentir assim, não consigo mais.”
Diamond o olhava sem entender o que aquelas palavras significavam. Observou-o virar as costas e se afastar. Seu coração apertou. Não poderia permitir. O que ele estava fazendo? Ele não a amava? Por que estava indo embora? “Ele não pode me deixar. Não pode!”, pensou. Correu atrás dele e o entrelaçou em seus braços. Ele correspondeu com aquele beijo, o primeiro beijo da vida dela, o beijo mais lindo de todos: suave, doce e apaixonado.
E ambos sorriram.

Após essa linda memória, Diamond saiu do seu transe, devido a um barulho alto na estação. O quarto havia acabado de passar. Ela o ignorou. Ainda não acabara. Era a vez da memória sofrida. Automaticamente, foi transportada para o dia do funeral dele.

Seu maior amor, que costumava ser sempre tão forte, encontrava-se de olhos fechados, envolto por flores e velas, totalmente impotente. Os parentes e amigos de Walter choravam. Mas ela não chorou no seu funeral. Na verdade, ela não sentiu nada. Seu rosto era uma pedra. Nenhuma expressão. Os seus olhos eram quase imóveis. Ela ficou lá, apenas olhando para ele. Sua mãe falava com ela, seu pai parecia fazer o mesmo, os amigos mexiam os lábios constantemente, mas ela não ouvia nada. Após Walter ter sido enterrado, alguém a levou em casa. Ela não dormiu naquela noite. Nem na seguinte. Nem na depois desta. Passava o dia tentando entender. Procurando respostas. Às vezes, cansada daquele esforço intelectual, procurava se distrair. Tentava ler seus autores favoritos. Não conseguia se concentrar. Tentava fotografar os beija-flores na roseira do seu quintal, mas tudo era preto e branco. Tentava escrever algum poema, mas só conseguia escrever a inicial do nome dele.

E agora estava ali.
Não suportaria mais aquilo. Aquela vida. Aquele vazio. Aquela tristeza. Tristeza era o que estava sentindo e, quando percebeu isso, ela chorou. Chorou todas as lágrimas guardadas desde o dia em que Walter descobriu seu câncer. Chorou como se o mundo todo não fizesse mais sentido. Chorou.
As pessoas na estação a encaravam, sem entender o que ela estava fazendo, sentada ali sozinha e distante de todo mundo. “É só mais uma louca.” Alguém gritou. Olhavam desconfiados. Aquela cena parecia penosa para algumas pessoas. Mas ninguém fez nada.
Já havia passado mais outro, o que totalizava cinco oportunidades perdidas no mesmo dia.
O que ela havia feito para merecer aquilo? Antes de Walter, ela não era nada: não era feliz, mas também não se considerava triste. Ele apareceu. Ela mudou. Seus dias pareciam sempre iluminados. Seu coração era pura alegria. Em menos de um ano, lá estava ela: perdida, sozinha e arrependida. Arrependida de ter humilhado Walter por tanto tempo; de não ter aproveitado aqueles dias para estar na companhia do seu amado por mais alguns meses; de não ter se permitido amar antes, bem antes. Apenas arrependida por ter escolhido tantas opções ruins, quando alternativas melhores estavam ali ao seu alcance.
Um barulho. Lá vinha sua sexta oportunidade. Não a desperdiçaria. Poderia escolher mais uma vez, não sabia se essa se encaixava nas opções ruins ou boas, mas a escolheria de qualquer forma. Levantou-se ainda em prantos. Os olhos embaçados pelo rio que brotava dos seus olhos. Viajaria. Partiria para uma nova vida. Mudaria tudo. Escaparia pela última vez. Desistiria pela última vez.
Deu alguns passos largos e rápidos na direção dos trilhos, o sexto trem chegou e ela se foi.
Na estação, as mesmas pessoas que a chamaram de louca e nada fizeram por ela gritavam horrorizadas ao ver a quantidade de líquido vermelho capaz de sair do corpo de uma única mulher.

Lianderson Ferreira

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Resenha: O Prazer é Todo Nosso - Lola Benvenutti


Nem Santa, Nem Puta: Mulher!

O livro "O Prazer é Todo Nosso", escrito por Lola Benvenutti, é simplesmente uma estrada a ser percorrida por aqueles que querem refletir sobre o próprio corpo, sobre as práticas sexuais, sobre os valores e tradições da nossa sociedade patriarcal e machista, entre várias outras coisas.

Ele é dividido em duas partes: na primeira, ela descreve algumas das suas experiências sexuais com diferentes clientes; os motivos que os fizeram procurá-la; o que ela aprendeu com cada um deles; como ela cresceu como pessoa e como passou a conhecer mais e mais o seu próprio corpo com cada experiência e aventura; na segunda, ela meio que reflete um pouco sobre a nossa sociedade; conta como foi lidar com a rejeição da família e amigos ao assumir publicamente sua escolha; fala sobre a dificuldade de se libertar das amarras da sociedade conservadora na qual estamos todos inseridos; cita o movimento da "Marcha das Vadias" e fala da importância desses movimentos.

Pessoalmente, eu fui levado a analisar bastante os valores arraigados na nossa sociedade, coisas que podem ser, por vezes, destrutivas, quando se trata da aceitação das escolhas alheias. Hoje em dia, ser homossexual, travesti, lésbica, ou ser uma mulher independente, totalmente autônoma sobre o seu próprio corpo e suas próprias escolhas, significa ser estigmatizado(a), uma vez que você não se encaixa no que é "normal" para a maioria. Contudo, esse tipo de pensamento é algo que deve ser desconstruído, como Lola afirma:

Penso que a sociedade atual, com seus valores conservadores, precisa mudar sua forma de ver o indivíduo e suas idiossincrasias. Embora tudo seja muito tênue e incerto, o esforço para desconstruir essas concepções tão arraigadas em nossa sociedade, responsáveis por atos de intolerâncias com relação à diversidade de manifestações da sexualidade, é sempre válido. Não devemos permitir que a violência contra mulheres, homossexuais, travestis e prostitutas se torne 'natural'. Afinal, todos nós somos humanos e o respeito deve acontecer em qualquer circunstância, independentemente das escolhas sexuais individuais.

Por que um menino que se masturba, que "pega" várias garotas, que não tem pudor na hora de falar sobre sexo é considerado "macho" e recebe vários elogios dos amigos e até mesmo da família, enquanto uma mulher não deveria sequer usar roupas mais curtas ou, na pior das hipóteses, falar um pouco mais alto? Há uma grande disparidade na forma de conceber os gêneros. Atualmente, vários movimentos estão na luta para mudar essa realidade. Todavia, há muito a ser percorrido ainda.

A questão é não temer ser quem você é. Fazer suas escolhas e assumi-las. E, como Lola mesmo fala no livro, uma vez que você se aceita, as críticas e olhares alheios se tornam irrelevantes, porque se você se conhece, se você sabe do que gosta e o que quer, o resto é o de menos. É tudo questão de se aceitar e respeitar as escolhas individuais das pessoas. Essas duas coisas simples ajudam, com certeza, a evitar a tristeza pela qual um(a) adolescente que está se descobrindo pode passar ao não ser aceito pela sociedade e, principalmente, pelas pessoas que mais ama. Lutemos para fazer desse mundo um lugar melhor de se viver, no qual o único medo seja o de não ser feliz.

Lianderson Ferreira

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Romance in the Cemetery

          It seemed to be a normal evening. Mr. Antonio left home and was heading to his night journey in the municipal cemetery. He was expecting that it would be only some more boring and tiresome hours of work.
          As soon as he arrived at the place, he started to walk silently, counting hours for that night to end quickly.
          Suddenly, he heard some noise. Something, besides him, walked around the cemetery. He trembled with fear.
          Would it be a thief? Drug users? A ghost?
          He needed to figure it out. He walked slowly. He didn't want them to notice his presence. After some footsteps, he saw the shadows of two people over the cemetery wall. He could not see the people, only the shadows.
          He remained stuck where he was, watching. And got surprised with what he saw: the shadows seemed to hug each other. A true embrace.
-A couple. -He whispered.
         He got even more curious. He wanted to know who those people were and why they chose a cemetery to date.
         Walked a bit more, but realised that the shadows were kissing then. As he didn't want to be inconvenient, he returned a little. The shadows looked happy. The old man felt touched with that scene.
          He did not need an explanation, a reason, didn't even need to comprehend that situation, after all, they were happy.
          Suddenly, the shadows stopped kissing. And, holding hands, they walked towards the way out. For Mr. Antonio, knowing who those people were did not matter anymore. Despite that, he went after them, just curiosity. When he turned right, he stopped, shocked. Actually, those shadows did not belong to proper people, they were two skeletons that walked calmly, crossing the gate of the cemetery and disappearing next.
          The old man got confused. He sat on the ground and stared at nothing.
          Those skeletons, whom did they belong to?
          Did they belong to a man and a woman? To two men? To two women? To black people? Or to white people? Did they belong to thin people or fat ones? He would never know.
          The only conviction he had was that, regardless of everything he believed in or used to think it was right, they were happy.

Lianderson Ferreira

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Our Speakers' Corner

"In my view, Feminism is very important nowadays, because women are still oppressed in many sectors of life, for example: we're still being paid less than men are; we are objectified; society imposes a lot of patterns - not only about our bodies - but also about the way of living, the way THEY want us to live. We are afraid of walking alone because we can be raped at any time and the patriarchal society says that it's our fault. Feminism is not the opposite of machism. Feminism fights for equal rights and empowerment for women to be freer, more conscious and the owner over their bodies, their lives and themselves."

That speech was said by one of my students, Olga Miranda,
as a way to express her point of view about this issue
and support her argument based on facts.


domingo, 17 de maio de 2015

Romance no Cemitério

          Era uma noite aparentemente normal. Seu Antônio saíra de casa e encaminhava-se a sua jornada noturna no cemitério municipal. Esperava que fossem apenas mais algumas horas chatas e cansativas de trabalho.
          Assim que chegou ao local, pôs-se a caminhar silenciosamente, contando as horas para aquela noite acabar rápido.
          De repente, ele ouviu um barulho. Algo, além dele, andava pelo cemitério. Ele estremeceu de medo.
          Seria um bandido? Drogados? Uma alma penada?
          Ele precisava descobrir. Andou lentamente. Não queria que percebessem sua presença. Após alguns passos, avistou a sombra de duas pessoas na parede do cemitério. Não conseguia ver as pessoas, só avistava as sombras.
          Ele permaneceu parado onde estava, observando. E ficou surpreso com o que viu: as sombras pareciam se abraçar. Um abraço verdadeiro.
-Um casal –ele sussurrou.
          Ficou mais curioso. Queria saber quem eram aquelas pessoas e o porquê de escolherem um cemitério para namorar.
          Deu mais alguns passos, mas percebeu que as sombras se beijavam em seguida. Não querendo ser inconveniente, recuou um pouco. As sombras pareciam felizes. O velho sentiu-se um pouco comovido com aquela cena.
          Não precisava de uma explicação, de um motivo, não precisava sequer compreender aquela situação, afinal, eles estavam felizes.
          De repente, as sombras pararam de se beijar. E, de mãos dadas, caminharam em direção à saída. Para Seu Antônio, não importava mais saber quem eram aquelas pessoas. Apesar disso, foi atrás deles, só por curiosidade. Ao virar à direita, ele parou chocado. Na verdade, as sombras não eram de pessoas, tratava-se de dois esqueletos que caminhavam calmamente, atravessando o portão do cemitério e sumindo logo em seguida.
          O velho ficou confuso. Sentou-se no chão e ficou olhando para o nada.
          Aqueles esqueletos, a quem pertenciam?
          Seriam de um homem e de uma mulher? Seriam de dois homens? Seriam de duas mulheres? De negros? Ou seriam de brancos? Seriam de pessoas magras ou seriam de gordas? Ele nunca saberia.
          A única convicção que tinha era de que, independente de tudo o que ele acreditava ou achava certo, eles eram felizes.

Lianderson Ferreira

domingo, 19 de abril de 2015

Oitenta e Seis Anos

O sol nascera; os pássaros puseram-se a cantar e a acordar as pessoas do bairro com aquele som gracioso. As senhoras cumprimentavam-se na rua e abriam as janelas de suas casas para receber a luz daquele dia grandioso. O senhor Charlie também havia acordado. Calçou seus chinelos, escovou os dentes e lavou o rosto. Olhou-se no espelho: uma nova marca da idade tornava-se visível em seu rosto. Dirigiu-se à cozinha e preparou seu chá matinal. Subia as escadas enquanto levava o copo à boca.
     -Oscar, eu vou preparar o café da manhã. Levanta dessa cama senão você vai perder a aula. – Ele falou à porta do quarto de seu neto. – Oscar, você me ouviu?
     -Ouvi, vô. Desço em um minuto. – O garoto respondeu.
          Oscar se levantou de sua cama e caminhou sonolento ao banheiro. Lavou o rosto. Olhou-se no espelho: uma nova espinha aparecera. Tomou um banho e vestiu-se. Hora do café da manhã.
     -Você demorou. – Seu avô comentou para puxar assunto.
     -Não demorei não, vô. Desci rapidinho.
     -O que você vai fazer hoje após a escola?
     -Vou me encontrar com uns amigos. – Oscar falou, mordendo um pedaço de torrada, em seguida.
     -Mas, você estará em casa até às cinco? Lembre-se do nosso chazinho. E hoje não é apenas mais um chá qualquer, é o chá da tarde do dia do meu aniversário. –Senhor Charlie disse com um rosto de desapontamento.
     -Claro, vô, eu chegarei antes disso. Agora tenho que ir. –Oscar falou, pegando a mochila e levantando-se. Beijou a testa do seu avô e disse: -Feliz Aniversário, vô. Não é todo dia que se completa oitenta e seis anos. –Ele sorriu.
          Oscar era a única pessoa que tinha restado na vida de Charlie, assim como ele era a única família que Oscar tinha. Os dois eram, além de avô e neto, amigos, companheiros, irmãos.
          Na escola, a mesma nostalgia de sempre, nada novo: professores chatos, aulas chatas...
Oscar esperava ansiosamente pelo momento em que encontraria seus amigos.
O sinal tocou. No portão, Ruth, Leanne, Max, Tom e Tylar.
     -Olá, pessoal. –Oscar disse ao encontrá-los.
     -E aí, para onde vamos? –Ruth perguntou.
     -Há uma festa dois quarteirões daqui, num pub muito conhecido. Já devem estar nos esperando. Vamos? –Tylar falou.
     -Vamos lá. –Responderam.
       Festa. Alegria. Diversão. Bebidas. Músicas. Danças. Sorrisos. Bebidas. Comidas. Apresentações. Brincadeiras. Bebidas. Cigarros. Cigarros. Bebidas. Bebidas.
          Algumas estrelas já eram notáveis no céu; a lua aparecia timidamente, saindo de trás de nuvens escuras. E a festa continuava. Nada importava, estavam ali apenas para se divertir. Nada importava.
          Onze da noite.
     -O dia foi muito divertido com vocês. –Oscar falou.
     -Então a gente repete tudo semana que vem. –Max disse gargalhando.
     -Tchau, pessoal. –O garoto gritou, acenando para os seus amigos.
          Oscar pegou a chave no bolso e ao colocá-la na fechadura, percebeu algo: a porta estava aberta. “Que estranho”, pensou.
Era quase meia-noite e seu avô ainda não havia fechado a porta? Ele adentrou. As luzes estavam apagadas. Pensou em subir para o quarto, mas precisava de um copo d’água. Ligou a luz da sala e lá estava ele, de costas e sentado numa poltrona: seu velho e amado avô.
     -Vô? Por que o senhor ainda não foi dormir? –Oscar perguntou, aproximando-se lentamente. Vendo que não houve resposta, ele voltou a falar: - Vô? –Nada se ouvia.
          Oscar olhou para a mesinha da sala e, sobre a mesma, um bolo com uma vela derretida em cima, alguns biscoitos e uma xícara de chá frio. Olhou de volta para o seu avô, ele segurava outra xícara, seus olhos estavam abertos e, na sua face, uma lágrima secava.
Foi nesse momento que Oscar entendeu tudo: havia perdido. Perdido o aniversário do seu melhor amigo, perdido o octogésimo-sexto aniversário do seu companheiro, perdido os últimos momentos do seu irmão, mas, acima de tudo, havia perdido a chance de dizer adeus, de dizer as poucas palavras que teriam feito toda a diferença para aquele grande homem que tanto admirava: “Vô, eu te amo!”.

Lianderson Ferreira

Eighty-six Years Old

          The sun had risen; the birds started to sing and wake up the people from the neighbourhood with that graceful sound. The old ladies greeted on the street and opened the window of their houses to receive the light of that great day. Mr. Charlie had woken up as well. He put on his slippers, brushed his teeth and washed his face. Looked at himself in the mirror: a new sign of the age became visible on his face. Walked towards the kitchen and prepared his morning tea. He was going upstairs while he put the cup close to the lips.
-Oscar, I will prepare breakfast. Get up from that bed, otherwise you will miss the class. –He said by his grandson’s bedroom door. –Oscar, did you hear me?
-I heard you, grandpa. I will be downstairs in a moment. –the boy answered.
          Oscar got up from his bed and, still sleepy, walked towards his toilet. Washed his face. Looked at himself in the mirror: a new acne had appeared. He took a shower and got dressed. Breakfast time.
-You took a long time. –His grandfather said to make conversation.
-No, I didn’t, grandpa. I came downstairs very quickly.
-What are you going to do after school?
-I’m going to meet some friends. –Oscar said, biting a piece of toast.
-But, will you be at home until five? Remember our tea. And, today, it’s not just some usual tea, it’s my birthday’s afternoon tea. –Mr. Charlie said a bit disappointed.
-Of course, grandpa, I will be at home before that. Now, I’ve got to go. –Oscar said, while was grabbing his backpack and getting up. Kissed his grandfather’s forehead and whispered: -Happy Birthday, grandpa. Not every day someone turns eighty-six. –He smiled.
          Oscar was the only person that was left in Charlie’s life, as well as he was the only relative Oscar had. They two were, besides grandfather and grandson, friends, mates, brothers.
          At school, the same usual shit, nothing new: boring teachers, boring classes...
          Oscar was looking forward to the moment he would meet his friends.
          The bell rang. At the front gate, Ruth, Leanne, Max, Tom and Tylar.
-Hey, mates. –Oscar said as soon as he met them.
-Hey ya, where are we going to? –Ruth asked.
-There is a party two blocks from here, in a very well-known pub. They must be waiting for us. Shall we? –Tylar said.
-Let’s go! –They answered.
          Party. Joy. Fun. Drinks. Music. Dance. Smiles. Drinks. Food. Presentations. Games. Drinks. Cigarettes. Cigarettes. Drinks. Drinks.
          Some stars were already easily seen in sky; the moon was appearing timidly, getting out of the back of dark clouds. And the party was on. Nothing mattered, they were there just for fun. Nothing mattered.
          Eleven at night.
-The day was very funny with you all. –Oscar said.
-So, we can do it all over again next week. –Max said laughing.
-Bye, mates. –The boy screamed, waving to his friends.
          Oscar picked the key from his pocket and as soon as he put it in the lock, realised something: the door was open. “That’s weird”, he thought.
          It was almost midnight and his grandfather hadn’t closed the door yet? He entered. The lights were off. He thought about going upstairs to his bedroom, but needed a glass of water. He turned on the living room lights and there he was, back turned and sitting on an armchair: his old and beloved grandfather.
-Grandpa? Why haven’t you slept yet? –Oscar asked, getting closer slowly. As soon as he noticed there was no answer, he spoke again: -Grandpa? –Nothing was heard.
          Oscar looked at the little desk in the living room and, on it, a cake with a melted candle, some biscuits and a cup of cold tea. He looked back to his grandfather, he was holding another cup of tea, his eyes were open and, on his face, some tears were drying.
          That was exactly when Oscar understood everything: He had missed. Missed his best friend’s birthday, missed his mate’s eighty-sixth birthday, missed his brother’s last moments, but, besides everything, he had missed the chance to say goodbye, to say those few words that would have made all the difference to that great man that he admired so much: “Grandpa, I love you!”.

Lianderson Ferreira


domingo, 12 de abril de 2015

Some Thoughts about God and Religions

          Someone asked me once: how can you believe in religions? Religions say that being gay is wrong, for example. Yeah, in fact, some religions say so. But I don't care, I mean, I don't follow any proper religion, I only follow and love God, I am absolutely sure that He didn't say those things, not as the people reproduce, at least.
         Thousands of years have passed by, millions of people and societies have changed what is written on those existing sacred books. Patriarchal societies have imposed a very bad position to the women, but God was not the responsible one. THE PEOPLE WERE.
          God has never said that "being gay is wrong", 'cause He, as being good and merciful, knows that a statement like that leads to problems, to sadness, to violence, and He doesn't want to see His children crying. No, He doesn't.
          So, I conclude: It doesn't matter what you may say, but being gay doesn't make you become a monster or a sinner, but your actions, your violent attitude towards gay people make you a sinner. So, stop it, if you say you're too religious, remember the main words of every religion: love, peace, respect and acceptance.

Lianderson Ferreira

terça-feira, 10 de março de 2015

Grupo de Inglês no Facebook: English Learners

Hello, my dear friends

Bem, eu estou aqui para, primeiro, me desculpar pela minha ausência no blog. Eu estou com muitas coisas para fazer: trabalho, faculdade... sério. Mas, prometo que estarei postando um novo texto aqui e sua respectiva tradução também muito em breve.

A segunda coisa que eu queria mencionar é sobre um grupo que eu criei no facebook para aqueles que tiverem interesse em aprender, praticar ou entrar em contato ainda mais com a Língua Inglesa. O grupo é aberto para qualquer pessoa. Por enquanto, está bem no começo, mas em breve haverá discussões, debates e coisas do tipo para praticarmos um pouco.

Link: https://www.facebook.com/groups/726548984080545/

I'm looking forward to seeing you there, 
Thanks. Cheers!!

sábado, 10 de janeiro de 2015

Skoob

Olá pessoal,

Agora vocês podem encontrar o livro que eu escrevi junto com outros autores, Palavra é Arte, e a minha página como autor no Skoob.

Seguem os links:

Livro: http://www.skoob.com.br/livro/430809ED488022-palavra-e-arte

Página do autor: http://www.skoob.com.br/autor/12462

Eu ficaria bastante grato se vocês pudessem seguir a página e colocar o livro em suas estantes. Obrigado de coração.