Nem Santa, Nem Puta: Mulher!
O livro "O Prazer é Todo Nosso", escrito por Lola Benvenutti, é simplesmente uma estrada a ser percorrida por aqueles que querem refletir sobre o próprio corpo, sobre as práticas sexuais, sobre os valores e tradições da nossa sociedade patriarcal e machista, entre várias outras coisas.
Ele é dividido em duas partes: na primeira, ela descreve algumas das suas experiências sexuais com diferentes clientes; os motivos que os fizeram procurá-la; o que ela aprendeu com cada um deles; como ela cresceu como pessoa e como passou a conhecer mais e mais o seu próprio corpo com cada experiência e aventura; na segunda, ela meio que reflete um pouco sobre a nossa sociedade; conta como foi lidar com a rejeição da família e amigos ao assumir publicamente sua escolha; fala sobre a dificuldade de se libertar das amarras da sociedade conservadora na qual estamos todos inseridos; cita o movimento da "Marcha das Vadias" e fala da importância desses movimentos.
Pessoalmente, eu fui levado a analisar bastante os valores arraigados na nossa sociedade, coisas que podem ser, por vezes, destrutivas, quando se trata da aceitação das escolhas alheias. Hoje em dia, ser homossexual, travesti, lésbica, ou ser uma mulher independente, totalmente autônoma sobre o seu próprio corpo e suas próprias escolhas, significa ser estigmatizado(a), uma vez que você não se encaixa no que é "normal" para a maioria. Contudo, esse tipo de pensamento é algo que deve ser desconstruído, como Lola afirma:
Penso que a sociedade
atual, com seus valores conservadores, precisa mudar sua forma de ver o
indivíduo e suas idiossincrasias. Embora tudo seja muito tênue e incerto, o
esforço para desconstruir essas concepções tão arraigadas em nossa sociedade,
responsáveis por atos de intolerâncias com relação à diversidade de
manifestações da sexualidade, é sempre válido. Não devemos permitir que a
violência contra mulheres, homossexuais, travestis e prostitutas se torne
'natural'. Afinal, todos nós somos humanos e o respeito deve acontecer em
qualquer circunstância, independentemente das escolhas sexuais individuais.
Por que um menino que se masturba, que "pega" várias garotas, que não tem pudor na hora de falar sobre sexo é considerado "macho" e recebe vários elogios dos amigos e até mesmo da família, enquanto uma mulher não deveria sequer usar roupas mais curtas ou, na pior das hipóteses, falar um pouco mais alto? Há uma grande disparidade na forma de conceber os gêneros. Atualmente, vários movimentos estão na luta para mudar essa realidade. Todavia, há muito a ser percorrido ainda.
A questão é não temer ser quem você é. Fazer suas escolhas e assumi-las. E, como Lola mesmo fala no livro, uma vez que você se aceita, as críticas e olhares alheios se tornam irrelevantes, porque se você se conhece, se você sabe do que gosta e o que quer, o resto é o de menos. É tudo questão de se aceitar e respeitar as escolhas individuais das pessoas. Essas duas coisas simples ajudam, com certeza, a evitar a tristeza pela qual um(a) adolescente que está se descobrindo pode passar ao não ser aceito pela sociedade e, principalmente, pelas pessoas que mais ama. Lutemos para fazer desse mundo um lugar melhor de se viver, no qual o único medo seja o de não ser feliz.
Lianderson Ferreira

Nenhum comentário:
Postar um comentário